Terça-feira, 28 de Abril de 2009

O cancro também LIGA pessoas, culturas, religiões...

Este pretende ser um blog de partilha das actividades desenvolvidas pelo Departamento de Educação para Saúde da Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Norte, mas também um blog de partilha do que vai acontecendo nas escolas, nas comunidades, pelo mundo que tenha a ver com a doença, com o combate à doença, com as descobertas científicas... enfim, de tudo um pouco...
Por isso mesmo, hoje partilhamos convosco um texto do P2, jornal Público:

"O cientista americano que revolucionou o tratamento dos linfomas com um medicamento que hoje é usado na terapia de vários cancros transpôs mais uma barreira. Tornou-se no primeiro judeu em 33 anos a receber o prémio Faisal, o "Nobel árabe", na categoria de Medicina. E a sua mulher nascida em Israel obteve um raro visto saudita para o acompanhar"

Enquanto lia o jornal (hoje de uma forma inusitidamente rara) dei com esta notícia que primeiro me chamou a atenção pela "palavra-chave" cancro e depois porque é de facto curioso como algumas barreiras se ultrapassam quando ninguém espera.
Numa altura em que apostamos no slogan "Liga-te" para as nossas acções, nãoi resisti a partilhar convosco o que entretanto li:

"Há cerca de um ano, o meu amigo Philip Pizzo, reitor da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford (Califórnia), onde sou director do Serviço de Oncologia, perguntou-me se podia propor a minha candidatura ao Prémio Rei Faisal. Disse-lhe que sim depois de ele me garantir que não era uma iniciativa política.

Agora que recebi o prémio fico feliz com a dimensão política que ele representa: nunca esperei que um judeu americano e casado com uma israelita pudesse ser escolhido por uma fundação real da Arábia Saudita. Foi uma extraordinária surpresa!

Inicialmente pensei que teria de viajar sozinho até Riad para receber o prémio. Da minha biografia tinha sido apagado o meu pós-doutoramento no Instituto Weizman em Rehovot, a cidade onde nasceu uma das minhas três filhas; a minha mulher é natural de Telavive; e os nossos passaportes estavam cheios de carimbos israelitas, o que tem sido impedimento
para entrar na Arábia Saudita (que não tem relações com o Estado judaico). Quando
fomos ao consulado de Los Angeles, os vistos foram dados sem quaisquer perguntas.

À chegada a Riad, esperava-nos uma limusina com motorista, que nos acompanhou para todo o lado, até ao dia de partir. Ficámos os cinco num hotel que parecia uma fortaleza militar, rodeada de guardas de segurança e cães polícia. A minha mulher e as minhas filhas receberam abayas (túnicas) e hijab (lenços) pretos para estarem presentes na cerimónia de 29 de Março para a qual foram convidadas 1500 pessoas.As mesas estavam distribuídas como se fosse
um banquete. O ambiente era segregado mas este ano foi a primeira vez que as mulheres foram autorizadas a assistir.

Fui receber o prémio a um palco onde estava o rei actual, Abdullah. Não senti que, por ser judeu, tivesse sido tratado de maneira diferente dos outros galardoados."

São muito curiosas as palavras deste cientista quando afirma:

"Aos 67 anos de vida, o prémio que recebi do rei Abdullah foi o mais importante em termos internacionais para a minha carreira (...) pelo facto de ter sido dados neste país (Arábia Saudita) e ter sido dado a mim (um judeu).

Isso transcede a medicina e a ciência.

O prémio é sempre um estímulo, mas sinto que este foi mais do que isso. Criou-se uma oportunidade de abrir um diálogo e um canal de comunicação que, de outro modo, não seriam possíveis. Quando conhecemos o outro lado e estabelecemos laços pessoais, muita da animosidade política desaparece. Eu fiz contactos fabulosos e há a promessa de um reforço de colaboração com cientistas sauditas na investigação do cancro"


Este é de facto um óptimo exemplo de que as ligações entre as pessoas são essenciais para conseguirmos superar os obstáculos que nos são apresentados pela doença oncológica!

Excertos retirados do P2 do Jornal Público de 28 de Abril de 2009

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